🇺🇸 The Warriors (1979) 🌕🌕🌕🌕🌕
- Bruno Santiago
- 18 de jun. de 2019
- 3 min de leitura

Dirigido por Walter Hill
Sempre vi esse filme perdido por ai nas indicações "obscuras" da internet, servindo como referência pop cult até hoje. Até que descubro que esta no catálogo da Amazon Prime Video. Tive que ver. E me apaixonei logo nos primeiros minutos. A cena que intercala com os créditos iniciais combinada com a música, dá o tom para o que vamos ver a seguir. Sem contar que apresenta não só a história como os personagens principais de uma forma extremamente sagaz.
O filme tem tudo que um exploitation puro tem que ter. É uma das melhores definições de filmes B que eu já vi. Todo o charme desse tipo de produção esta aqui. Não falta nada. Atuações super canastras, locações reais que parecem cenários (muito melhor do que o contrário), trilha sonora típica da transição anos 70/anos 80 e diálogos bobos de efeito são algumas das características principais. As cenas de ação são as melhores representantes de filmes da Tela Quente de antigamente.
A história segue uma Nova Iorque dividida por bairros representados por gangues. Uma noite, o que seria o líder de todas as gangues, um dos personagens mais toscos do filme (no melhor dos sentidos), resolve discursar para todas as gangues juntas no Bronx a fim de tentar criar um motim das gangues contra a polícia da cidade. Até que um atentado ocorre e o assassino joga a culpa para a gangue The Warriors, de Coney Island. A partir daí acompanhamos a jornada deles durante a madrugada tentando chegar de volta ao seu bairro de origem. No meio do caminho eles vão tendo que enfrentar algumas gangues que os estão caçando.
O filme é episódico onde cada momento uma ameaça diferente surge e os oito membros da gangue tem que se livrar disso. E aí que entra um outro charme inesperado nessa produção. O filme é realmente imprevisível. Personagens vão saindo de cena por motivos que você nunca esperaria. O desenrolar da coisa toda não segue batidas comuns apesar de se encaixar num estilo Fuga de Nova Iorque (que foi produzido depois, então a inspiração é contrária) e Mad Max (do mesmo ano).
The Warriors nos dá todos esses personagens bizarros e excêntricos como a gangue dos jogadores de baseball com as caras pintadas que atacam no parque ou os patinadores que aparecem no metrô e os colocam num cenário hiper estilizado, ainda mais hoje em dia com o seu valor vintage, trazendo mais interesse visual pelo o filme. É uma delícia assistir essa cidade nos anos 70, de madrugada, vazia, os becos, a fumaça, os parques vazios, o metrô pixado. Tudo representa bem o apego emocional com Nova Iorque que o cinema ajudou a criar.
Os personagens principais da gangue também possuem muito presença. É engraçado notar que se fosse feito nos dias atuais, o filme com certeza careceria de personalidade dos protagonistas. Em 1979, em um filme de ação de baixo orçamento, eles conseguiram criar personalidades distintas e específicas sem precisar de muito, com apenas algumas falas. Isso é um dom que parece que se perdeu com os anos em Hollywood. E tem para todo o tipo de público. O engraçadinho do grupo, o artista, o mais calado, o rebelde e o líder canastra. Apesar de ser um filme super machista, tem também a mocinha inesperada.
Um filme extremamente canastra que diferente do que se espera, não se baseia apenas em porradaria, e sim no clima criado, nos personagens carismáticos e num saudosismo estranho que nunca vivenciamos. Para o que se propõe e o que representa atualmente, esse filme é uma jóia rara. Uma pena que não transformaram em uma saga no estilo Mad Max. Tinha potencial. Um filme badass para a época e inocente para os dias de hoje.




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